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Ahhhh... Que preguiça hein... Pois é. Trago um texto que fala sobre a influência da preguiça espiritual na segurança da nossa salvação. As vezes vivemos em dúvida quanto a nossa salvação. Em meio as nossas incertezas não nos damos conta da preguiça que estamos de buscarmos esclarecer a nossa visão acerca de nossa salvação. Nos examinamos e não vemos sinais saudáveis. Ficamos decepcionados com a nossa leitura bíblica, com nossa oração, com nosso testemunho, mas, não buscamos resolver o problema, temos preguiça. Boa leitura. Um abraço! Davi
Uma outra causa comum da ausência do senso da segurança da
salvação é a preguiça quanto ao crescimento na graça.
Suspeito que muitos crentes autênticos embalam pontos de
vista perigosos e antibíblicos quanto a este aspecto da questão. Naturalmente,
não acredito que o façam intencionalmente, mas, de alguma maneira, eles têm
tais idéias. Muitos crentes parecem pensar que, uma vez convertidos, pouco lhes
resta a fazer, e que o estado de salvação é uma espécie de poltrona de
descanso, na qual podem ficar tranquilamente sentados, esticando o corpo e
sentindo-se felizes. Parecem fantasiar que a graça divina lhes é conferida a
fim de que possam usufruir dela, esquecidos de que é outorgada a nós como se
fosse um talento de ouro, a fim de ser empregado e multiplicado. Tais pessoas
perdem de vista tais determinações bíblicas para “crescermos”, “frutificarmos”,
“acrescentar à nossa fé” e coisas semelhantes. E, nessa condição tão pouco
realizadora, na qual deixam a mente descansar preguiçosamente, não é mesmo de
se admirar que não consigam obter o senso de segurança da salvação.
Acredito que avançar na vida cristã deveria ser nosso
contínuo objetivo e desejo. E, o nosso lema, em cada aniversário e a cada ano,
deveria ser: “Continuar progredindo” cada vez mais. (1Ts 4:1) Mais
conhecimento, mais fé, mais obediência, mais amor. Se estamos produzindo a
trinta por um, devemos procurar produzir a sessenta por um. E se estamos
produzindo a sessenta por um, devemos procurar produzir a cem por um. A vontade
do Senhor é a nossa santificação e essa deveria ser, por semelhante modo, a
nossa vontade (Mt 13:23; 1Ts 4:3).
Seja como for, podemos confiar que há uma inseparável
ligação entre a diligência e o senso de segurança. Recomenda-nos o apóstolo
Pedro: “Procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a nossa vocação e
eleição” (2Pe 1:10). E o autor de hebreus assim declara: “Desejamos, porém,
continue cada um de vós mostrando até o fim a mesma diligência para a plena
certeza da esperança” (Hb 6:11). E Salomão afirmou: “A alma dos diligentes se
farta” (Pv 13:4). Há uma profunda verdade naquela máxima dos puritanos: “A fé
para a aderência vem pelo ouvir, mas a fé da certeza vem mediante o praticar”.
Porventura, algum leitor deste livro é um daqueles que
deseja obter segurança da salvação, mas que ainda não a possui? Nesse caso,
sublinhe estas minhas palavras. Você jamais obterá a segurança da salvação sem
diligência, por mais que a deseje. Nas questões espirituais, não há vantagens
sem sofrimentos, assim como nas questões deste mundo passageiro. “O preguiçoso
deseja, e nada tem!” (Pv 13:4)[18]
J.C. Ryle em "Santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor". Pág 166-167.
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[18] “Estás te sentindo em abismos e em dúvidas, perplexo e
cheio de incertezas, sem saberes qual é a tua condição, e nem mesmo sem
qualquer interesse pelo perdão conferido por Deus? Estás sendo sacudido para lá
e para cá, entre esperanças e temores, anelante por paz, consolo e firmeza? Por
que te prostras rosto em terra? Levanta-te, vigia e ora, jejua, medita e faz
oposição às tuas concupiscências e corrupções. Não temas, nem te abales diante
dos clamores das tuas paixões que querem ser poupadas. Apresenta-te
insistentemente diante do trono da graça, mediante a oração, a súplica, a
importunação, com pedidos incansáveis – é dessa maneira que uma pessoa se
apossa do reino de Deus. Essas duas coisas ainda não são a paz, nem a
segurança, mas fazem parte dos meios que Deus determinou para que as
alcançássemos!” (OWEN, John. “The Nature of the Forgiveness of Sin”)
“De quem é a culpa se o teu interesse por Cristo é misturado
com dúvidas? Se os crentes se examinassem mais a si mesmos, se andassem mais
perto de Deus, se tivessem mais comunhão íntima com o Senhor, e agissem mais de
acordo com a fé, logo se desvaneceria essa vergonhosa incompreensão e dúvida!”(TRAILL, Robert. The works of the
late reverend Robert Traill)
